peter_painz

Cringe Compilation
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2019-06-30 00:00:00 (UTC)

Off The Chest. Random Shit.

Nem sei como começar isto, talvez seria interessante contextualizar a realidade em que estou hoje, neste preciso momento.
Vivo hoje completamente isolado, sem um grande contacto com os que conheci na universidade, apesar de serem pessoas que considero bastante e com as quais já partilhei muitos bons momentos, mas a causa do meu isolamento sou apenas eu, é apenas um reflexo dos meus medos, da desilusão de pouco ou nada estar a corresponder ao que tracei no ano passado, e também o choque de realidades tem algum efeito, mesmo que não muito para mim.
E são pessoas que infelizmente simplesmente apenas se importam com o que lhes convém, com o que trás felicidade, com noites de borga e aventuras no urban com todos felizes da sua vida a viverem o sonho selvagem que a sociedade deste século e esta (não) cultura nos oferece... Basta haver um que tenha problemas ou não se sinta bem que é posto de parte simplesmente por não estar em condições de acrescentar nada, sabem quantas vezes ouvi um "Está tudo bem?" destas pessoas? Nenhuma, mesmo não conseguindo esconder a minha decadência. Só uns meros "Onde tens estado?", "Mas que raio meu? Nunca apareces".
Sei que não é razão para me sentir mal, mas caramba num meio em que todos são adultos ninguém conseguir perceber minimamente o que é o isolamento é preocupante, pelo menos para mim.
Podem ser pessoas muito sociais, mas no que toca a lidar uns com os outros parecem analfabetos, não falo apenas por mim, mas é esta a tendência infelizmente. Claro que não são más pessoas, mas a falta de conteúdos é assustadora.
Neste aspeto os lisboetas são iguais aos faialenses, e em muitos mais mesmo.
Eu adoro a ilha de onde venho e não é por acaso que tenho o grande desejo de voltar, mas a nível social devo dizer que, conhecendo as 9 ilhas, o Faial é sem dúvida uma das mais "tóxicas", e há um contexto histórico para isto. O Faial antigamente era a ilha dos aristocratas, com uma grande influência de magnatas americanos e com um desenvolvimento desproporcional em relação às restantes, onde a economia era baseada na exploração de uma grande parte do povo para o benefício dos senhores de gravata que estavam no topo, onde principalmente eram explorados terrenos e trabalhadores no Pico por parte destes senhores, e hoje o que vemos é um reflexo disso. Basicamente o Faial era a ilha dos "ricos" (até há uma fucking sociedade maçónica, numa ilha de 15.000 habitantes. Podia fazer um texto a dar um epic rant naquilo, e é algo que conheço bem porque parte da minha família faz parte, mas acho que a palavra "nojo" é a que melhor descreve isto) e o Pico era a ilha dos trabalhadores, dos homens do conhecimento empírico.
Em qualquer geração faialense, há sempre uma superficialidade generalizada numa grande parte das pessoas, seja na escola (onde há muitas divisões por grupinhos, com pitinhas "inacessíveis" e definitavemente muito melhores que o resto) e mesmo na sociedade em geral, já para não falar na política... Eu fiz parte de uma lista, e jurei para nunca mais. Há uma cambada de elites ali formadas que é de bradar aos céus, tão separatistas e num meio tão pequeno para egos tão grandes.
Mas focando-me no que é a minha demografia, ao longo de meu crescimento e do meu percurso vi muito o que é a "popularidade" e o que pode fazer às pessoas por lá, porque a formatação e a força que fazem para se darem com certas pessoas é digna de um vazio interior imenso, há amizades que não se compreendem, há personalidades que estão para além de sequer estar perto de uma definição, mas tudo se preenche com boas peças de roupa e com bons feeds no insta. (Age of Aquarius, when shall your dawning begin? Generation Y needs you)
Já no Pico por exemplo é tudo tão diferente, tão liberal, ninguém preconceita ninguém, todos convivem com todos, é como uma mini Amesterdão, é fantástico! Incluindo a abertura que têm para o "envolvimento à descoberta", o que pode chocar alguns, mas let's be real, se és jovem queres descobrir, e não há rigorosamente nada de errado com isso havendo outra pessoa que se sente da mesma forma. Let's break the religious dogmas for good. Também a realidade da "popularidade" é diferente, por exemplo já tive em minha casa o rapaz que é considerado um dos mais "populares" (esta palavra é tão estúpida, vem de população..) de lá em minha casa a fumar um comigo, completamente na boa. Já para os do Faial estou na 'non-talking to list', ou melhor, um outro pode falar e até me considerar um amigo, mas em grupo é como se não existisse, acaba por ter bastante piada até. Acho que megalomania e ambições fantasiosas são o que melhor descrevem o background social faialense.
E até hoje há um choque entre estas realidades, e tanto faialenses como picarotos normalmente percebem que há sempre uma certa tensão nas relações. Se há uma coisa má em comum com todas as ilhas é o isolamento, o que levo ao fechamento das mentes, à dependência em fatores religiosos, às tão famosas fofocas e beatas, mas é simplesmente uma consequência natural disso, também queremos o verde mas não queremos a húmidade, é sempre assim. Se conseguíssemos perceber o efeito que os backgrounds têm na realidade de todos e de tudo, nada disto aconteceria. Por exemplo, é fácil olhar para uma criança com cancro e ter pena, mas não é fácil olhar para uma criança autista e não sentir revolta. Isto para dizer que a realidade da nossa mente devia ser levada mais a sério, e a típica mentalidade do "Estás mal? Esconde, já passa, é uma fase", ou melhor "És mulher, tens de aguentar" é o equivalente a dizer a um diabético para não tomar penicilina. Get the message?
Esclarecendo aqui uma coisa quanto ao que disse do Pico, sei que não é um mar de rosas e também há uma falta de civismo (um pouco pelo isolamento local) exagerada, mas generalizando, a vida social é fantástica, e é nestes pequenos detalhes que vemos a diferença que entre nós e as nossas interações. Tudo o que adquirimos vem da nossa casa e da nossa cultura, também há muita influência da net (em que literalmente uma altíssima percentagem da população se perde por simplesmente não ter a capacidade de lhe dar um bom uso, por falta de princípios darwinianos em parte e também pelo brainwash excessivo dos meios), e o conjunto social acaba por ser uma junção de todos estes. E de geração em geração, tudo continua, seja nos Açores, em Lisboa, na Síria.. Enfim, preocupa-me que saibamos tanto e que a cada dia se descubra algo novo e mesmo assim continuamos presos e com a mente fechada em nós e no nosso meio. But hey, I'm completely fine with every single soul, não gosto de impôr nada a ninguém e aceito quaisquer padrões (dentro dos princípios descritos pelos direitos humanos claro), isto é simplesmente uma forma de explicar a realidade que vejo. Já agora para quem estiver a ler, recomendo que ouçam a Innunedo dos Queen, que transmite uma mensagem intemporal que se insere e muito bem no que aqui disse.
(Update)
Faz hoje dois dias que escrevi o texto acima, não o quero estar a ler para não corromper o que é a transmissão natural do que sinto no momento em que escrevo. Mas vou tentar seguir um dos temas.
Focando-me um pouco mais na saúde mental, o que é? Porque raio pode ser algo tão bom, ou tão mau?
Quando se fala numa doença mental, a primeira coisa em que penso é o amor (Acho que já falei em algo parecido por aqui)
O que é o amor? É um desiquilíbrio químico no cérebro que provoca aquelas alterações fisiológicas que bem conhecemos, com o propósito evolutivo de nos convergir para acasalarmos. Quantos de nós já sentimos isto por alguém que sabemos que não é o parceiro ideal para nós, ou até mesmo por alguém que nos faz mal? Here's your answer, é uma doença.
Quando falamos em depressão, bipolaridade, esquisofrenia, etc., estamos a falar de doenças que acentam exatamente na mesma base, as causas nunca são precisas, mas baseiam-se essencialmente nas nossas vivências, mas também podem ser simplesmente naturais.
Abordando o meu caso e aqui vou entrar em algo muito pessoal
(Vou ter de fazer uma pausa agora, estou um pouco apertado de tempo. Já acabo de escrever)


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