peter_painz

Cringe Compilation
Ad 2:
2019-05-04 00:00:00 (UTC)

Tales, from the 15 y.o. me

C.1
Bem... tudo começou à 4 anos atrás
Eu era um miúdo extrovertido, a acabar de fazer 12 anos, era muito chato e irritante para os que estavam à minha volta
Mas um dia descobri que tinha uma fraqueza, uma rapariga mais velha que eu, chamada Samanta, veio falar comigo, e 2 meses depois aconteceu o que eu menos esperava e que sinceramente não pensei que me acontece-se... tínhamos começado a namorar, eu estava tão feliz :')
Mas sabia lá eu o que era namorar na altura, ainda era tudo uma incógnita para mim, ainda não tinha entendido que namorar era dar-mos tudo de nós para a pessoa que amamos e fazer de tudo para resolver os problemas... eu era só um miúdo, era o começo. 3 semanas depois, o pior aconteceu...
Ela chateou-se comigo por eu não me ter importado com ela quando devia, eu fiquei sempre na dúvida, o que podia eu ter feito? (hoje é bem claro o que eu não fiz)
Mas o pior, foi quando descobri que ela estava muito próxima do rapaz que eu mais ondeava, eu conhecia-o e sabia que ele não era de confiança (apesar de hoje sermos grandes amigos)
Eu disse-lhe tudo o que pensei, pronto, exagerei sim... Ela passou-me a odear, e começou a namorar com ele... Mas o rapaz queria lá saber dela, fazia-me impressão, outra coisa é que eu à pouco tempo perguntei-lhe e ele disse que nunca sequer gostou dela.. Well, o que se pode dizer?
O que é certo é que ela me odeia, ainda hoje, nunca mais falámos, mas aprendi com os erros. Será que foi um ano fácil? não... Passei o ano todo deprimido, foi aí que me cortei pela primeira vez, e passei o ano assim, até que me soltei um pouco com a ajuda dos meus amigos, sempre me ajudaram a distraír... também conheci uma rapariga que me ajudou, e que ainda hoje somos grandes amigos, apesar de não falarmos muito.
No final aprendi com os erros, aprendi a valorizar e deixei tudo o que era mau para trás, a minha personalidade mudou muito para melhor, já passaram 4 anos... E foi assim o meu 7º ano...

C.2
Acabaram as aulas nesse ano, tempo de férias ^^
Pensei que estava tudo bem, mas o maldito destino sempre a armar das suas trouxe-me um problema grave... Um mal entendido e um amigo falso tornaram estas férias as piores...
Um rapazito que era o meu melhor amigo desde que me lembre era um rapaz muito fixe, eramos quase um só, estávamos juntos todo o dia, mas havia uma coisa... Ele fazia tudo o que lhe apetecia e o culpado nunca era ele, fazia de tudo para se safar das situações mais ridículas e deixar os outros mal
Sempre foi mau para mim, foi ele o responsável do bullying que eu sofri durante alguns anos, pela minha estatura e pelos meus dentes, que são tortos... é, as crianças podem ser maldosas! só quem já passou por algum tipo de bullying nesta fase percebe.
Até que um dia, ele fez uma porcaria enorme que envolveu todos do nosso grupo de amigos, até que um adulto descobriu do que tinha acontecido e ele culpou-me de ter feito queixa quando eu nem sabia de nada... virou todos contra mim! criou fakes, criou movimentos para me darem porrada, tudo! vocês nem imaginam! Foi a sensação de ter um mundo inteiro contra mim e um medo enorme de saír de casa...
Foi um verão INTEIRO nisto...
Até que chegou o dia 26 de agosto, os meus anos...
Ele apareceu em minha casa sem aviso, e não foram precisos mais de 10 segundos para eu o perdoar, mas tinha em mente que se ele voltasse a fazer algo de mau, seria mesmo o fim... Mas fiquei mesmo na dúvida, só o perdoei porque já estava farto de sofrer...
Até agora ele não fez mais nada, já passaram 3 anos e acho que ele se tornou uma pessoa melhor.
O resto dos meus amigos souberam o que aconteceu, sentiram-se estúpidos (sem razao) pelo que me fizeram passar quando estavam sob a influência dele e passaram todos a ter cuidado... mas até agora esteve tudo bem, veremos no futuro...
Depois, voltou tudo ao normal de "antes", aquela situação do ano anterior já tinha sido esquecida... pelo menos pensei que sim, a verdade é que me afetou ao ponto de não ter conseguido namorar nos 2 anos seguintes... vinham-me as memórias todas à cabeça num instante, não podia haver pior sensação!
Querer ser feliz a falar com alguém novo, ter até a oportunidade de namorar, mas ouvir sempre uma voz na cabeça a dizer "Não faças isto", "Não faças aquilo", acabei sempre por estragar tudo em todos os casos...
Até que me fartei, os pensamentos suicidas voltaram, já estava farto de tentar ser feliz, dar o meu melhor, fazer as pessoas felizes e vê-las a desaparecer da minha vida de um momento para o outro, foram dias inteiros a chorar, perdido...
Mas felizmente nunca fugi ao meu dever, fazer os meus amigos e familiares felizes, dei tudo, escondi as lágrimas e sempre passei uma imagem sorridente e alegre a todos, e foram 2 anos nisto...
Ninguém, mesmo ninguém soube como eu estava ou como me senti, eu estava perdido... parecia uma pessoa com duas caras, algo que eu sempre odiei e esperava nunca me tornar, era um pesadelo tornado realidade, mas era a minha realidade, achei que mais valia estar sozinho mesmo, mas foi sempre difícil não me ir abaixo.
Depois vinha-me sempre à mente que tudo isto aconteceu por eu ter tentado ajudar uma pessoa, é muito frustrante dar sempre o nosso melhor e só receber sofrimento em troca...
Só queria alguém em quem confiar, uma pessoa que me valorizasse tal como eu valorizo todos :c
E assim foram, 2 anos de "ressaca" do sucedido...

C.3
Verão de 2014...
Tudo estava estável e razoável naquele momento, tinha ido passar férias, estava-me a divertir... tudo ótimo.
A meio de agosto desse ano, comecei a falar com uma pessoa que sempre foi muito próxima de mim, somos praticamente familiares, mas só naquele momento comecei a falar com ela, chama-se Ana Sofia, uma rapariga linda, doce e sempre sorridente, sentia-me muito bem ao lado dela sinceramente.
Até a convidei para os meus anos, como somos muito próximos, e estivemos sempre juntos, abraçamo-nos, foi ótimo mesmo. Até comecei a sentir algo por ela... mas pensei logo "NÃO", achei que não valia a pena sequer me esforçar...
Na mesma semana, dia 27 de agosto, veio uma rapariga falar comigo, cuja cara não me era nada estranha, até que ela me perguntou se eu me lembrava dela... foi um flashback na minha cabeça, era a Erica! Uma grande amiga de infância, eu nem queria acreditar que estava novamente a falar com ela...
Ela tinha a pele muito branca, cabelos pretos encaracolados, tinha olhos verdes como eu e usava óculos... era muito envergonhada, raramente olhava para mim e estava sempre corada.
Lá fomos falando ao longo daquela semana, fomos descobrindo que tinhamos muito em comum, e sem eu menos esperar ela admitiu que gostava de mim, não estava nada à espera. Eu fui sempre o mais simpático e doce possível, disse-lhe que a adorava, que era uma grande amiga, mas eu não queria namorar naquele momento... até porque não sentia nada por ela, os meus pensamentos ficaram sempre na Ana Sofia...
E lá fomos falando, fui sempre simpático com ela, ajudei-a em algumas situações, rimo-nos, tivemos momentos doidos, estava a ser uma grande amizade, e ela dava-me imenso valor.
Até que um dia, chego a casa e deparo-me com uma mensagem muito assustadora dela... era uma mensagem de despedida! Ela queria-se matar...
Eu nem sabia o que fazer, mandei-lhe um monte de textos para a tentar acalmar, para tentar saber o que se passava, mas nada, ela já não estava pois já era muito tarde... tive de esperar até ao dia seguinte e foi uma noite horrível, senti mesmo que a ia perder...
No dia seguinte lá falei com ela, ela explicou-me que tinha sido por causa de uma zanga com uma amiga, e estava com o braço todo cortado... eram "arranhões", mas não dei menos importância por causa disso.
E eu sabia que ela gostava de mim e que nunca se tinha sentido bem por eu não querer namorar com ela, e fiquei mesmo sem saber o que fazer... pensei, pensei, Por um lado em gostava da Ana Sofia, mas a Erica valorizava-me muito mais... O que devia eu fazer?
Ela esteve dois dias seguidos com esta conversa do suicídio, e eu sempre extremamente preocupado e a dar tudo para a fazer pensar de outra forma, sim, eu preocupava-me com ela... Cheguei até a soltar um "amo-te" lá pelo meio...
Ao fim do segundo dia, já estava tudo bem, ela tinha feito as pases com a amiga, e sempre me pareceu que a amiga só a perdoou por causa dos cortes... na altura pensei "Será que ela faz isto só para chamar a atenção?" pensei que não, mas na verdade sim... Nunca encarei a realidade naquela altura.
No dia seguinte, dia 15 de setembro, começaram as aulas, não nos vimos nesse dia, mas no dia seguinte, que eu não tinha aulas à tarde, fiz-lhe uma "surpresa", apareci na porta da sala dela no final da tarde, demos um abraço tão grande...
Viemos a pé, fiz-lhe companhia até casa, que ficava à vontade a uns 2 Km da escola, e pelo caminho... cometi aquele que viria a ser um grande erro... pedi-a em namoro.
Começamos a namorar nesse dia, dei o meu primeiro beijo... pensei que estava a sonhar, acreditei mesmo que tinha tomado a melhor decisão.
Foram dias ótimos, trocamos cartas, passamos momentos intimos juntos, fiz-lhe uma canção, o primeiro mês foi inesquecível, estava a correr tudo bem, eu não podia estar mais feliz
Pelo meio ela voltou a ficar meia deprimida, voltou-se a cortar por uns desentendimentos com o "ex" namorado (que pelo que me dizem não chegou a ser ex) que vivia noutra ilha mais distante do nosso arquipélago... Eu lá dei todas as minhas forças para a ajudar, faltei a um trabalho de grupo importantíssimo, os meus amigos caíram logo em mim, mas a minha prioridade era ela...
No dia em que fizemos um mês, fui ter com ela à escola no final da tarde como de costume, mas ela estava estranha, nunca a tinha visto assim, estava irritada, estava a descarregar tudo em mim, a meio do caminho ela deixou-me para trás.. deixou-me em lágrimas, eu nem sabia o que fazer, no que é que eu tinha errado??
Tinha sido o começo de mais uma etapa obscura... foi um mês complicado, comecei com os testes, com notas miseráveis, pois eu não conseguia parar de pensar nela... ela estava constantemente a tratar-me como lixo...
Até que chegou a uma altura em que um monte de gente me disse que ela andava com outro rapaz... um rapaz de "etnia negra" (para não pensarem que sou racista), 5 anos mais velho que ela e de uma turma "complicada"...
Fiquei tão em baixo, só queria falar com ela para acabar tudo entre nós, mas não conseguia... ela ignorava-me, escondia-se...
Até que um dia ela se fez passar pela prima, e disse-me que ainda sentia algo por mim e que queria muito voltar para mim... (vim a descobrir que foi uma altura em que ela estava chateada com o seu amante) Eu tive a chance de lhe dar uma segunda oportunidade... mas naquele caso só serviria para mostrar que certas pessoas nunca mudam... dar uma segunda oportunidade a alguém ou é perfeito ou é asneira, mais vale jogar pelo seguro...
Enfim, no dia 16 de novembro, dia em que fazíamos 2 meses, acabei tudo, eu odeava-a! Mas fui sempre simpático e fingi que não sabia de nada, para não haver problemas, fiquei horrível nos dias a seguir, voltei-me a cortar, deprimi mais do que nunca, no que é que eu errei?? mais uma vez este sentimento caiu sobre mim...
E quando eu menos esperava, uma velha amiga veio falar comigo, era a Ana Sofia, fiquei tão feliz, contei-lhe tudo o que tinha acontecido, ela compreendeu, disse que me ia ajudar, e esteve ao meu lado quando eu precisei, foi tão bom...
Um dia a Erica descobriu mesmo que me tinha cortado, ela chateou-se tanto comigo e fez-me sentir ainda pior, num dia que era a véspera de um teste importantíssimo, eu acabei por me irritar e cortamos as relações ali... nunca tinha sentido tanto ódio na minha vida!
A Ana Sofia foi mesmo a minha força, não sabia como lhe agradecer... apesar de ela não ter estado sempre presente foi mesmo a minha única força para o resto do ano...
Chegou a um momento em que...
...

C.4
Chegou a páscoa...
Tudo se mantinha como antes, a Ana Sofia sendo a minha força, e o ódio pela "outra" mantinha-se...
Até cheguei a desenhar este símbolo (∉) na guitarra, exagerei um pouco sim...
Até que um dia, os meus tios chegaram cá de férias, a mulher do meu tio é tia da Ana, por isso é que somos próximos, e temos uma prima mais pequena em comum também.
Tivemos 4 dias juntos, foi muito fixe, passeamos, falámos, estava a ser espetacular mesmo.
E no último dia estivemos na Casa de Chá... estava de noite, e aquele sítio tem um terraço lindo, estava só com ela e com a nossa prima, com ela no meu braço, abraçamo-nos tanto, o brilho no olhar dela, os arrepios que eu senti... estava a ser muito perfeito, nem nos meus melhores sonhos podia imaginar aquilo...
Naquela noite deixei mesmo de pensar no passado obscuro que me vinha a assombrar nos últimos meses e passei a ter um único pensamento, ela...
Mas acima de tudo, continuava com o pensamento de não voltar a namorar...
Com o tempo começou a ser mais difícil lidar com isto, pois o que eu sentia por ela estava a tornar-se real, apesar de o contrariar, até que chegou a um dia em que eu achei que lhe devia contar, eu estava uma pilha de nervos, estava todo a tremer, estava super indeciso...
Fui falar com o meu amigo Júlio, que sempre me acompanhou e sabia de tudo, e ele achou que eu não tinha nada a perder e que devia mesmo dizer à Ana o que sentia por ela... foi o que fiz.
Mas foi horrível! Eu estava mesmo muito nervoso, primeiro disse-lhe que lhe queria contar uma coisa, depois já disse que não queria... ela ficou confusa e um pouco preocupada...
Depois lá lhe contei, depois de lhe ter dito caiu-me logo uma lágrima, não fazia ideia de como ela iria reagir, estava em pânico...
Até que ela me deu uma resposta... que eu não esquecerei, ela começou por dizer que já sabia de tudo e que me adorava como eu era, não ia mudar nunca a sua maneira de ser mas não queria namorar porque também tinha tido problemas e tinha medo de estragar a nossa amizade, ela valorizava-me mesmo... foi uma atitude linda que nunca tinham tido comigo...
Fiquei tão reconfortado, senti que tinha uma amiga, uma amiga que me valorizava e que acreditava em mim... apesar de não esconder que fui um pouco abaixo, como é óbvio.
Depois de tudo acalmar, rapidamente fiquei bem e ficámos mesmo grandes amigos, é uma amizade que vai ficar para a vida, temos uma confiança enorme um com o outro, somos como irmãos, mesmo apesar de não falarmos regularmente...
Assimse manteve, eu estava feliz com o que se tinha passado, não confiante nem alegre, mas feliz comigo mesmo...
Os dias foram passando, tudo estava mais colorido, e a minha prima, Colldam, já à muito tempo que me andava a falar numa rapariga chamada Inês, já a tinha visto muitas vezes, e até uma vez passei por ela na rua e murmurei um "olá", ela não ouviu como é óbvio. Sempre a achei fantástica mesmo não a conhecendo, é uma rapariga linda, com um sorriso lindo, e os olhos dela, castanhos esverdeados, são... algo maravilhoso, que eu não consigo descrever...
Um dia tomei mesmo a coragem de falar com ela, eu estava muito envergonhado, mas não foram precisos mais de 30 minutos para eu perceber que nos íamos dar bem. Eu apreciava muito a sua maneira de ser e o estilo dela, tinha um ar constantemente pensativo, um estilo muito próprio e tínhamos gostos muito parecidos, ela gostava de rock tal como eu, ouvíamos musicas muito parecidas... Isso foi um primeiro sinal, senti que tinha ali uma amiga...
À medida que nos fomos conhecendo, ela contou-me que também tinha tido problemas ao longo do ano, e que também tinha sido traída, e rapidamente nos compreendemos um ao outro...
É uma pessoa tão doce e querida, não imaginava que ela tivesse sofrido tanto como me disse, senti logo que seria capaz de fazer tudo para a ajudar, ela merecia ser feliz...
Algo que eu também admirei foi a sua capacidade de persistência, de nunca desistir e ser sempre forte, mesmo contra situações desagradáveis, ela é um exemplo...
Tive pena de só ter falado com ela na última semana de aulas, não conseguimos estar juntos na escola, infelizmente, mas durante os primeiros dias de férias, falámos todos os dias, horas e horas, tínhamos uma personalidade tão parecida, éramos tão retardados e doces um com o outro...
Um dia disse-lhe mesmo que a achava uma rapariga maravilhosa e linda, ainda me lembro que ela me disse que tinha começado a chorar, e eu entrei em pânico a pensar que tinha dito algo de errado, mas afinal era de emoção... Nunca ninguém tinha chorado de emoção por algo que eu tivesse dito...
Eu comecei a valorizá-la, tal como ela me valorizou a mim, já a considerava a minha melhor amiga, ou melhor, a minha "migaa" como lhe chamo desde o início, fico sempre com um sorriso na cara quando digo isto...
Queria mesmo muito estar com ela pessoalmente, queria mesmo muito abraçá-la e ver de perto o seu sorriso maravilhoso... E vim a descobrir que teria essa oportunidade no fim de semana, estava tão feliz...
Durante a semana continuamos a falar, horas e horas, eu nunca me cansava de falar com ela, ela era mesmo espetacular e sentia-me tão bem com ela, as vezes que eu me arrepiei, os sorrisos que ela me trouxe, era incrível...
Ela fez-me esquecer mais do que ninguém qualquer medo ou situação que me assombrasse, sentia-me como se nada tivesse acontecido e como se aquilo fosse... um "novo começo"...
Sexta-feira, dia 19 de junho... foi um dia que me marcou, porque foi aí que eu o comecei a sentir... ela tinha algo de especial, algo só dela que me tocou profundamente...
Não tive medo de o dizer, pois a confiança que tínhamos era indestrutível... disse-lhe que sentia algo por ela, ela disse que também sentia o mesmo...
As lágrimas escorreram-me pela cara, depois de tudo o que passei, encontrei a rapariga dos meus sonhos!
Chegou o dia 21... o dia em que eu iria finalmente estar com ela, 21:43 saí de casa...
...

C.5
Lá estava eu a caminho...
Sereno, e ciente de que aquela seria uma noite inesquecível, apesar de só poder lá estar pouco mais de 30 minutos, porque a minha mãe, por alguma razão, quando o meu pai não está, não me deixa chegar muito tarde a casa... Mas lá fui!
Cheguei à rua dela, que por acaso era a rua onde a Erica morava... era uma rua que eu tinha boas e péssimas recordações...
Estava a haver uma festa, não sabia onde a encontrar a Inês e estava a ficar nervoso... Até que me deparo com ela, mesmo à minha frente! Senti as pupilas a dilatarem, o meu coração começou a bater mesmo muito depressa... o que eu senti foi muito verdadeiro, e nunca o tinha sentido antes...
Demos um abraço tão grande, os braços dela eram tão acolhedores e seguros, ela era mesmo incrível... juro que nunca me tinha sentido daquela maneira em toda a minha vida...
Demos um passeio, falamos, abraçamo-nos... e eu pedi-a em namoro e ela aceitou, senti-me tão feliz... eu fiz um esforço para não chorar à frente dela, porque depois de tudo o que eu passei, depois do ano obscuro e horrível que eu tive que nem acreditava que voltaria a dizer "amo-te" a alguém, podia finalmente voltar a ser feliz, ao lado da mulher dos meus sonhos!
Os beijos dela eram tão doces e delicados, os seus olhos eram o meu paraíso, o seu sorriso que me dava alegria e aquele jeitinho que só ela tem... era incrível, um sonho até...
Não me esqueço das nossas conversas, do carinho que demos um ao outro, dos sorrisos... de tudo!
Após 40 minutos com ela... tinha de ir, eu não queria nada ir... mas teve de ser, quando nos despedimos, eu comecei a chorar... eu estava mesmo muito feliz, nunca me esquecerei.
Cheguei a casa, fui direto para a minha cama, e deitei-me a pensar, estava a ser demasiado bom para ser verdade... De repente ouço alguém a bater à porta do meu quarto, era a minha mãe, disse-me que ia jogar canasta com umas amigas, como faz todos os fins de semana, e normalmente so volta às 2 da manhã...
Assim que ela saiu, mandei uma mensagem à Inês:
- Vais ficar até que horas??
- 04:39 5:00 da manha
-A minha mae saiu, tou a ir para aí :b
- Doido
- Mesmo xD
E assim foi, fui ter com ela, ela estava sentada nas escadas da porta da sua casa, ligeiramente mais distante da festa, sentei-me ao lado dela, falámos, conhecemo-nos melhor, abraçamo-nos um ao outro, beijamo-nos, demos miminhos um ao outro, mais confortável e seguro eu não podia estar, tudo o que me era valioso estava ali mesmo ao meu lado.
Ela era mesmo amorosa, tratava-me tão bem, com todo o seu carinho e amor, eu dava-lhe também todo o meu amor, éramos 1, estava disposto a fazer tudo para a ver sorrir, eu estava disposto a morrer por ela...
Tinha a certeza que era ela, a tal, aquela que só encontramos uma vez na vida e que nunca mais deixamos.. Era ela...
O brilho no seu olhar, o calor dos seus braços, o acolher do seu ombro, a doçura da sua voz, tudo isso me fez voltar a ser quem era antes de passar por muita obscuridade, ela trouxe-me de volta o brilho da minha vida, senti que podia fazer tudo por ela, dar a vida por ela...
Ela compreendia-me como ninguém, ela fez-me rir como nunca, não conseguia evitar ficar corado ou ter um arrepio sempre que a olhava nos olhos... era mesmo a mulher mais bela que eu já tinha visto, adorava o seu estilo, estava com o cabelo esticado, com um casaco preto com mangas brancas, umas calças de ganga e uns all-star, estava tão perfeita.
O tempo ia passando... já 2 horas tinham passado, passaram mesmo rápido...
Eram 1:14, tinha mesmo de ir... e assim fui, ela acompanhou-me até ao final da rua, mas quando menos esperava, ela olha para trás e diz: "é a minha mãe!"
Ela vinha no carro... não queria imaginar o que podia acontecer, entrei em pânico instantaneamente e escondi-me... grande erro.
Ela estava atrás de mim, demos a mão um ao outro, e de repente só ouço um grito "Inês, entra no carro muito depressa!"
Não consegui mexer um músculo, estava petrificado, com uma expressão de grande pânico desenhada na minha cara...
E de repente ouço "E não te precisas de esconder, Pedro!" então saí.. queria ir falar com ela a explicar tudo, mas não consegui, ela estava tão irritada, só tive tempo de fazer um sinal de pedido de desculpa... contei até 10 e...
Mandei-me a correr até casa, as lágrimas caíram, o pânico espandia-se, e o pior de tudo... a culpa, a grande culpa que tinha sido minha, ela estava a sofrer por minha causa, nem queria acreditar, não foram precisos mais de 2 minutos para transformar tudo num pesadelo... eu nem queria acreditar, sentia-me tão culpado...
Cheguei a casa em menos de 4 minutos, a minha mãe já tinha chegado, mas nem falei com ela, fui direto para o quarto, dei tantos socos na parede, chorei tanto, era eu o culpado!
Não tinha intenção nenhuma que aquilo acontece-se... só a queria ver feliz e com um sorriso na cara.. mas só lhe trouxe lágrimas... peguei numa folha de papel e numa caneta, fiz um grande desabafo, ainda lhe mandei uma mensagem, mas nada... queria tanto saber como ela estava, era a minha maior preocupação...
No dia seguinte, falámos, ela disse que só iria conseguir voltar a falar comigo 2 meses depois porque a mão lhe tinha tirado o telemóvel... não podia acreditar no que estava acontecer... só queria fazê-la feliz e ser feliz com ela...
Dois dias depois... o pesadelo tomou conta de mim...
...


Ad:2