peter_painz

Cringe Compilation
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2019-02-28 00:00:00 (UTC)

Inner look

(Something I wrote on wattpad not so long ago, and remained private. It may be worth the sharing. I had to shut it all down due to an exponential individual viewrs rise on a particular text of mine. Probably someone who knew my account shared it with some people. The core of the main content was quite old and made in a way for just a few. So yeah, it's better this way. I'll post some shit around about my daily life and some interesting stuff about me algonside various experiences that may be useful for the one's likes similar to mine. It will be like a diary where I'll write regularly. My idea is to make some sort of a 'time capsule' out of this. No more social experiments will be made. So if you're reading now, welcome. Enjoy.)


Acho que já devia ter aprendido a não escrever mais aqui e a cingir-me apenas ao meu caderno para escrever fosse o que fosse, mas por vezes a sinergia passada pela escrita em teclado faz-nos abrir certos horizontes (simplesmente pelo diferente método de projeção), e muita vezes a transposição do sentimento torna-se mais ampla e mais genuína e talvez possa ser passada melhor a quem o lê. Escrevo neste espaço na esperança deste conteúdo poder ser útil para alguém.

Depois de passar um semestre até relativamente bom, a verdade é que senti as consequências de ter a minha mente perdida, não num sentido mainstream de uma história genérica de angsty teens, mas sim no sentido de questionar tudo em demasia, de chegar a conclusões precipitadas e de apesar de todos os dias absorver novos conhecimentos e de obter novas experiências, a verdade é que não conseguia dar keep up com a minha mente, e o que é que isto significa exatamente?

Nem eu o consigo pôr em palavras, talvez se possa definir como um excesso de criatividade, como uma constante procura por algo como se de uma confirmação total se tratasse, como o sentimento de ter demasiada pressa para tudo saber, sabendo que um dia estarei embebido na calmaria do inevitável, e senti na pele os perigos disto. O texto que aqui fiz há 4 meses foi só um mero reflexo disso (O 'desabafo distorcido', que apesar de ter tido um propósito que achei interessante ou criativo no momento, do qual se podia tirar uma moral implícita e de ter sido a única coisa que fiz do género, foi simplesmente ridículo e as consequências foram as piores mesmo eu tendo explicado a minha intenção a seguir, e é este padrão de acontecimentos 'causa-efeito' que serviu de base para o que aqui quero escrever, e o efeito deste foi pôr-me irritado a sério como nunca tinha ficado em anos e com isso ofendi verbalmente quem estava envolvido, quando o propósito definitivamente não passava por aí. You can definitely call me dumb for that, se me tivesse mantido calmo teria sido tudo diferente, mas oh well, farewell), porque depois de tirar algum tempo para olhar bem para mim, percebi o quão errado eu estava em quase tudo. Passei 1 mês nestas férias stoned a meditar, a fazer música, a exprimir tudo o que me vinha à mente, e nos intervalos destes momentos da sua maior libertação consegui chegar a várias conclusões quanto a mim, quanto à mudança radical que me chegou inadvertidamente e quanto ao efeito que isto tem tido nos outros, mas houve um pensamento em específico que me desencadeou uma bad trip, mas foi a melhor trip que tive.. Foi o momento em que me questionei: "Será que és mesmo quem tu queres ser? Será que estás apenas a ser tu próprio?".

Quando conhecemos uma pessoa que passa por um certo conflito de personalidades, o conselho mais consensual que damos é 'Sê tu próprio/a! Não te importes com o resto', porque sentimos que podemos libertar a pessoa, que de facto pode ser afetada por peer pressure, questões familiares ou mesmo pelo efeito da sociedade em si e talvez apenas precise de um pequeno solavanco para se soltar e se sentir bem, mas percebi que o meu problema estava para além disto, porque o meu grupo de amigos é super liberal e todos são de certa forma uns "génios", não para os mesmos temas mas o conjunto é simplesmente fantástico e qualquer problema que apareça é resolvido in no time at all, a minha família também é super open minded e felizmente tenho a sorte de partilhar genética de uma forma bem próxima com 'Os' Bettencourt da Praia da Vitória (Nuno included), de ter uma boa aptidão para a escrita e para a música, não preciso de estudar para ter boas notas, para além de que a minha namorada é a minha cara metade, podia percorrer o país inteiro e não encontrar ninguém assim, ela é simplesmente maravilhosa.. Sendo assim podia simplesmente viver, ir com o flow e ser feliz right? I wish, but for me things don't go that smoothly. Let me explain.

O pensamento que tive naquele momento e que fiz questão de registar é que eu sinto genuinamente que encontrei quem eu sou, e talvez tenha sido isso que me mudou, pode ter sido esse o maior problema. Penso que tudo terá começado há 3 anos, que foi de facto o ponto de inflexão desta jornada, porque foi a altura em que comecei a mudar para aquilo que queria, passei de um main stream guy que podia ficar umas 5 horas a jogar Lol com um cabelo à Beverly Hills brat dos anos 80 a quem sou hoje (só uma descrição engraçada, não quero ofender ninguém), a quem naquela altura queria ser, a quem de facto sou! Isto do ponto de vista da aparência que é irrelevante, mas serve aqui como um ponto de introdução. Mas depois imaginei o meu eu dessa altura, comecei a criar um cenário hipotético onde o meu eu de 16 anos se encontrava comigo, e tive uma espécie de regressão, senti exatamente o que ele me quereria perguntar, não tanto num sentido de Benjamin Button mas sim como uma redescoberta temporal de mim mesmo, mas fui para além disso...

Imaginei o meu eu de 16 anos com o intel da minha vida até hoje, e tentei pôr-me na pele dele para perceber o que ele quereria passar (isto tudo numa sessão de meditação while stoned. Yeah, Mary Jane if used in the proper conditions can provide you one kind of some great rational thoughts, but be sure you can handle it before you try it, if you intend to). Não vou descrever tudo em detalhe porque nem eu o consigo fazer e estaria apenas preencher este texto com artifícios fictícios, mas vou aqui descrever mais em detalhe as minhas características da altura que aqui interessam para complementar melhor o que quero dizer.

Eu era um rapaz extremamente acolhedor mas muito tímido, extremamente ansioso (com um distúrbio mesmo) e ficava em baixo muito facilmente, e tinha um constante sentimento de gratidão por quem tirava algum tempo para mim e essas pessoas tornavam-se demasiado importantes para mim, ao ponto de definitivamente importarem mais do que eu mesmo, até me lembro de uma situação em que eu e um amigo gostávamos da mesma pessoa, mas eu fazia questão de o ajudar porque acreditava que ele era melhor para ela do que eu (Must be relatable for one of the readers, perhaps), passava mesmo muito tempo com amigos mas pouco sozinho, porque não sentia que sozinho pudesse ser pro-ativo, no sentido de poder absorver o conteúdo das vivências, de ir mais além nos conhecimentos e de simplesmente absorver as energias passadas pelos estados de espírito dos que estavam ao meu redor. Eram as pessoas que me preenchiam, não sentia que nada em mim fosse worth the time e por isso pode-se dizer que nunca tinha prestado muita atenção à minha personalidade. Cheguei a definir há uns tempos num texto o meu eu desta altura como um "Mero espantalho que vivia apenas para dar uma palavra de conforto a quem de carência se sulfragava, não preenchido com palha, mas sim pela piegas libertação alheia, aleada da mediocridade e por fim esquecido em vão ao relente, como apenas um espantalho inútil e enfim deteriorado", o que obviamente lendo hoje é claramente e injustamente ofensivo não só para mim mas para muita gente, I can see that! Mas já vou abordar este tema novamente, talvez mais para o fim.

E como me posso definir hoje? Ou melhor, quem era eu antes disto, antes de 2019 to stablish a standard (Sim, eu não sei falar português ;-;)? Como foi o progresso nestes 3 anos?
Aqui é que as coisas começam a ficar um pouco difíceis de explicar de uma forma tão resumida e sem conciliar com outros temas que podiam ser relevantes. Isto definitivamente vai ser longo, mas há mesmo muito que tenho de falar aqui.

Tudo começou pelo descontentamento que eu comecei a ter por mim mesmo, como se o desenrolar da minha vida fosse como um buraco negro onde tudo o que me preenchia se desvanecia e acabava por me sentir como uma empty vessel imune ao desaparecimento. Foi este sentimento que me fez entrar num ciclo de procura incessante por algo novo que me fizesse sentir completo, porque já que tinha a sorte de existir e de ter a precessão do mundo ao meu redor no auge das minhas capacidades e daqueles que se previam como os melhores anos da minha vida, não poderia de maneira nenhuma desperdiçar mais tempo, e tudo veio naturalmente de uma boa maneira. Tudo começou com o meu visual que já referi, de facto comecei-me a despreocupar com a imagem, cortar o cabelo e fazer a barba passaram a não ser uma realidade comum para mim, e à medida que a experiência foi evoluindo comecei-me a sentir confortável com o que me estava a tornar, o visual passou a ser o que eu queria. E a verdade é que não o forcei em momento nenhum, simplesmente segui o que achei que podia fazer, o que me fazia sentir bem, e fiz (acho que só esta frase já pode resumir grande parte do quero dizer). Mesmo no vestuário, noto que pouco ou nada mudei nos últimos anos, sinto que é um reflexo genuíno da minha identidade. Mas é simplesmente irrelevante para mim, talvez por isso não mude tanto.

E assim foi, passei para a descoberta de novos conhecimentos, abri os meus horizontes para tudo, era como se não houvesse limite e quanto mais eu via, muito mais aparecia e se tornava num reflexo de espelhos mil como ramos em exponencial multiplicação crescente de uma floresta interminável, e foi no meio desta avalanche hormonal e transitória que comecei a namorar... No melhor momento possível, com a pessoa que se personifica inteiramente naquilo que eu sempre desejei, alguém que ainda hoje passados quase 3 anos continua a elevar a fasquia deste sentimento de amor e gratidão que por ela tenho, she's the atomic conjunction of the molecules that in a great scale stablishes this unknown pleaserous color to the great big sky of my wholesome little world. Foi este acontecimento que mais me preencheu ao longo daquele ano. Ela é a pessoa que mais me cativou e que em mim viu alguém com quem queria partilhar estas vivências, foi um dos primeiros momentos em que me comecei a sentir completo. Naturalmente que o início não foi fácil no meio de tudo isto, mas não foi preciso muito tempo para eu ter a certeza que este era o melhor caminho, e foi ela que me deu o boost que precisava para continuar a preencher-me e a sentir-me bem comigo mesmo. Definitivamente senti que mudei imenso ao longo de poucos meses, mas sem dúvida para melhor.

No ano seguinte segui o mesmo pensamento e tudo corria bem, cada vez me sentia melhor, estava a sentir genuinamente que aproveitava cada momento de uma boa maneira, e senti que o estava a fazer mais que os outros ao meu redor, não acerca do meu grupo de amigos que são fantásticos em todos os aspetos e também eles têm uma individualidade fascinante, mas sim acerca da maioria das pessoas na escola. É um meio pequeno, é uma realidade e a peer pressure acentua-se e muito, mas especialmente nos mais novos sentia um grande medo em terem alguma individualidade, seguiam todos as mesmas tendências, vestiam-se todos de uma forma tão igual que às vezes se tornava difícil a distinção e os interesses da maioria passava apenas pela vida dos outros, e foi ao observar estes pensamentos e muitos comportamentos que me comecei a realmente não me importar com nada e a esquecer um pouco o meio ao meu redor e a seguir o meu caminho, porque o vazio que via nos outros simplesmente assustava-me, e sem me aperceber foram ocorrências como estas que começaram cada vez mais a deixar o meu velho 'eu' para trás, e com ele muita coisa na verdade... Mas sentia-me mesmo bem comigo, aquele ano vai certamente ser uma referência na minha vida para sempre.

Acabado o secundário com notas boas, foi o momento daquela decisão, a universidade! Mas fui assolado por aquele sentimento não racional de que poderia haver uma alternativa vantajosa, poderia haver algo mais à minha espera antes de seguir para a folgada vida académica, e foi um assunto que ponderei imenso ao longo daquele verão, e cheguei a uma conclusão.. Ainda nem 18 anos tinha, tempo não me faltaria, passar aquele ano a dedicar-me a mim poderia trazer-me uma visão diferente que me permitisse chegar a diversos objetivos, e enriqueceria e muito o meu ser com diversas experiências que me tornariam mais capacitado para o que estava por vir.
Partilhei a minha visão com a minha família e amigos e todos foram consensuais, poderia de facto valer a pena e tudo se adivinhava como correndo pelo melhor possível, era como um sonho na verdade. Estava então decidido, e acabei por ficar mais um ano!

Como posso descrever este ano e a influência que teve em mim? No geral, posso dizer que foi o melhor da minha vida até hoje, sem dúvida. Mas passei pelas melhores e também pelas piores experiências, acabou por ser muito mais atribulado do que eu esperava, e foi neste período de tempo que acabei por me perder novamente. Ou talvez não. Stick around, you'll understand.

Uma coisa que me fez tomar esta decisão foi a música. Sempre foi uma grande parte da minha vida e desde que me lembre, especialmente influências clássicas e de vários tipos de rock, desde os clássicos propulsores do hard rock a rock psicadélico, também algum metal e jazz pelo meio com um pouco de punk à mistura, e aos 7 anos comecei a minha formação no tópico, onde acabei os estudos até ao 5º grau em piano (ou seja, 7 anos desde o início) e no meio acabei por me dedicar à guitarra, apesar de não ter sido fácil conciliar e durante esse tempo só aprendi o básico. Assim que acabei os estudos musicais começou a ser mais uma prioridade e em 2 anos consegui chegar a um nível confortável, até que aos 17, já a tocar em palco, tive uma inflamação grave de uma tendinite em frente a uma audiência que literalmente me travou as articulações... Naturalmente foi mesmo muito mau e traumatizante, não me vou alongar nisto mas ao longo daquele ano que foi o meu 12º de escolaridade pouco ou nada toquei, simplesmente quis esquecer aquilo. Custou sim, mas não era algo que me fizesse sentir completamente em baixo. Ainda não era uma grande paixão, e sempre que podia tocava um ou outro acorde, inclusive gravei para uma peça de teatro.

A verdade é que naquela altura da decisão entre ficar ou ir, comecei a sentir um vazio quanto ao facto de não ter continuado a progredir, mas tinha medo de o fazer... Inclusive no final do 12º tinha sido integrado numa banda como membro provisório, mas infelizmente nada se alongou ao longo do verão por falta de tempo e não tínhamos espaço, no entanto eu estava a trabalhar na transformação de um quarto velho em minha casa que apenas servia como dispensa ou quarto de hóspedes num estúdio, que idealizei desde o início de forma a ser o mais rentável e útil dentro do possível das suas dimensões de 2 por 4 metros (mais ou menos). E o resultado final ficou maravilhoso, consegui reutilizar todos os moveis velhos que haviam e com apenas 80€ gastos num sofá ali estava um belo espaço, onde ao longo do ano se deram várias festas (um dia posso falar em várias noutro texto) onde chegaram a estar cerca de 20 pessoas. Enfim, estava espetacular, com as guitarras, o mini amplificador e a bateria, tinha tudo para correr bem. E no final do verão, um dia um amigo apareceu em minha casa e disse: Bora tocar! E foi aí que tudo começou... Decidimos que íamos reunir os integrantes daquela banda que se tinha formado há uns meses e que lhe íamos dar uma nova vida, e assim foi. Introdução feita.

Era a primeira vez que o estava a fazer, e rapidamente nos começamos a dar mesmo muito bem, e comecei a aprender a magia do que é a liberdade da criação na guitarra, do percorrer das escalas, uma forma inédita de expressão de sentimentos, rapidamente me entusiasmei e toda a motivação que tinha perdido ao longo do último ano estava agora mais forte que nunca, comecei a tocar horas e horas por dia, a trabalhar para soltar os dedos, a decorar e a descobrir padrões sem recurso a qualquer meio, porque senti que havia um pontencial único à minha espera, queria mesmo uma liberdade total para este progresso. E é um perigo de quem usa a internet para aprender um instrumento, o mais comum é alguém começar a aprender para tocar uma certa música, mas nunca pensamos no que leva o artista a criar aquilo. Por exemplo, todos conhecemos aquela pessoa que começou a tocar guitarra para aprender a Wonderwall ou um solo épico como o da Eruption ou algo do género, e mesmo que até o faça bem e tenha uma boa coordenação, a verdade é que quando se lhe é pedido que faça uma jam com alguém (que improvise), não faz ideia do que vai fazer, isso é o mais comum que podemos ver, eu também me incluo nesse lote! No início só queria conseguir tocar Love of My Life e a More than Words. Mas como estava a dizer, a internet está para a música como a escola, como instituição no sentido objetivo, está para a nossa vida. Aprendemos conhecimentos de diferentes tópicos para passar num exame e fazer os governantes felizes por terem a sua escolinha num bom lugar do ranking, mas depois esquecemo-nos da maioria, e porquê? Porque muito do que aprendemos é "inútil", ou simplesmente não é ensinado da melhor maneira, mas o que é certo é que definitivamente não saímos do ensino obrigatório com os conhecimentos que poderíamos ter. Com a aprendizagem músical ou artística no geral é a mesma coisa, quando temos tudo à nossa frente num ecrã esquecemo-nos do está por trás, para quem está familiarizado com a pentatónica sabe do que estou a falar. A única coisa que não aprendi por mim foi a base da pentatónica, de resto foi tudo à descoberta, porque a música é isto mesmo! Todos os solos que ouvimos, todos aqueles padrões que os guitarristas usam espontâneamente são fruto deles mesmos, as notas estão todas lá, e há ínfimos riffs e padrões descobertos e à espera da descoberta que passam a olho nu para quem olha para o braço da guitarra, ou mesmo para um teclado, para a pintura, para a dança, é um conceito que se pode aplicar a todas estas formas de expressão pessoal e é a grande base da arte no seu geral que me fez conseguir transpor o que sinto para o que toco, porque descobri as notas, aprendi detalhadamente o que funciona e o que não soa bem, é essa a magia, é esse o conhecimento que absorvemos e que connosco fica... Enfim, isto não foi muito poético, foi mais informativo, mas uma dia ainda vou escrever algo mais detalhado e artificioso sobre o assunto. Para que fique claro, não sou contra lições de música! É claro que são importantes, eu cheguei a ter 2 ou 3 e serviram como um grande complemento para as minhas capacidades, porque naturalmente evoluír na técnica é meio caminho andado para o resto.
Um aparte aqui em tom de desabafo (um positivo), adorei as reações do pessoal da escola na semana passada quando toquei lá, notei que ainda há miúdos que mesmo sendo um pouco afetados pelo sistema ainda têm uma ponta de interesse por algo diferente, e foi muito bom ter gente a vir falar comigo, a dizer que adorou, a ficar mindblown ao ouvir que tudo o que toquei foi de improviso, enfim.. Há um ano se me visse agora provavelmente ficaria igual, mas ainda posso fazer muito mais. Fez-me realmente sentir muito bem e deu-me folgo para continuar a progredir! E espero poder ter influenciado de alguma maneira gente na escola a fazer algo por si.
O facto de hoje estar num bom nível deve também aos conselhos que recebi das pessoas que estão ao meu redor, e sinto que estou no caminho perfeito para alcançar o meu objetivo neste tópico, e que objetivo é esse? Bem, de volta ao tema principal (Finally damn).

Nesta altura em que adquiri estas bases e cheguei a um nível razoável, algures entre novembro e dezembro daquele ano, e com os belos boosts criativos da nossa amiga Mary Jane (comecei a fumar naquele verão) comecei a ficar cada vez mais ciente da realidade, e foi aí que a minha cabeça começou a querer procurar mais e mais, passava dias a ler, acerca de Física Quântica, da identidade do eu, de controvérsias históricas quanto ao início das civilizações, a ver séries, estava a ir ao ginásio e a ganhar peso, enfim.. Estava tudo encaminhado com um ritmo interessante, mas com tudo muitas vezes acabei por me esquecer de outras coisas, e muito pesou como as saudades dos meus amigos, o facto de não falar tanto com a minha namorada como devia, de ter (infelizmente..) deixado amigos para trás, uma em específico, e isso começou a pesar, e foi, já passado algum tempo, que comecei a entrar numa certa crise existencial (se assim o podemos chamar), onde por um lado eu estava ciente de tudo mas por outro ainda tinha tanto pela frente, apesar de já conseguir pensar em melodias bem complexas, ainda não era bom o suficiente na guitarra, a minha namorada precisava de mim e muitas vezes não lhe dei a atenção que ela merecia e precisava (causa-efeito, como referi), e todos estes conflitos tornaram-se tão fortes que eu senti que não ia conseguir fazer tudo, estava tão longe de chegar a um nível aceitável, pode-se bem dizer que elevei demasiado a fasquia e no final de contas, um ano é apenas um ano, definitivamente não percebi isso na altura...
A verdade é que o facto de estar demasiado ciente levou-me à estaca zero, sentia-me perdido tal como antes mas não o estava, e a certa altura notei que andava a dormir muito mal, estava a perder bastante peso mesmo tendo uma alimentação boa, podia ficar umas 5 horas (sem exagero) na cama, parecia que não tinha grande vontade fosse para o que fosse, e rapidamente quis falar com um profissional porque senti claramente que não estava bem, não era a primeira vez, estava ciente do problema, e não me vou alongar nisto mas a verdade é que de facto foi-me dito que tinha sintomas de uma doença mental, e foi aí que me afundei consideravalmente. Se setembro-dezembro tinham sido tempos fantásticos, a verdade é que janeiro-fevereiro (principalmente) foram um inferno... Não me quero mesmo alongar neste tópico porque mais que isto já é irrelevante para o que quero passar. A verdade é que felizmente e devido também ao facto de ter conseguido alcançar os meios necessários para superar a fase mais negra de uma boa forma, consegui também depois de muito tempo em baixo voltar a ser pro-ativo, no ginásio, no trabalho que arranjei, no meu relacionamento, na banda, estava a conseguir voltar a conciliar tudo uma forma razoável (podia e devia ser melhor claro), mas uma coisa que me apercebi neste processo, foi o meu estilo de vida, que se inseria (e insere) naquilo que se pode dizer 'Rock and Roll lifestyle', porque ao longo do ano, festas no estúdio eram uma realidade forte, e a Mary Jane aparecia praticamente sempre, o Jack Daniel também se juntava à festa às vezes, e enfim, o Rock era o principal, mas não me identifico com esta realidade só pela ação, pelo querer viver a vida ao máximo e pela festa, mas sim pela atitude.. A atitude de revolta, de questionar o que os nossos responsáveis querem para nós, a procura pela paz interior em cada um e o amor e a liberdade que todos deveriam ter, tudo isso era uma realidade na minha mente, e foi através destas vivências, que pondo tudo em perspetiva voltei a ver luz e a ver que tinha muito tempo, que não era nenhum fracasso e que tudo estava a começar (são coisas facilmente ditas, mas até se inteirarem no nosso pensamento, pode custar muito mais do que parece) e levei este pensamento e a forma de viver (nem sempre com festas e jam sessions 'loucas' obviamente) ao longo do tempo e consegui chegar a setembro num bom patamar, onde a palavra equilíbrio é a que mais se adequa para qualificar esta passagem. Parecia estar tudo no lugar, sentia-me completo, apesar de ter remorsos por coisas que não cheguei a fazer, mas enfim, parecia estar tudo bem tirando os nervos da universidade.
Definitivamente tinha-me descoberto, mas hoje estou ciente das desvantagens que isso pode trazer do ponto de vida existencial como ser humano. Isso refletia-se na forma como interpretava os outros, apesar de ser muito mais social e de já não ter a ansiedade de antes, a verdade é que me tornei mais insensível no que tocava à realidade dos outros.
Havia muita coisa que podia aqui dizer e que certamente complementaria melhor, mas o que deixo aqui são os headlines que entendo como mais importantes, pelo menos os que me vieram à mente no momento da escrita, e penso que o que quero passar está percetível.

Agora sim, a universidade! O que mudou?
Sinceramente, achei que ia mudar muito mais por aqui, mas a rotina que mesmo não sendo diferente da que tinha no ano passado em alguns aspetos, fez-me ter um problema que já previa: O estudar... Como referi nunca precisei de o fazer muito para ter boas notas, acabei o secundário com média de 15 a estudar de véspera, ou mesmo não estudando de todo, e a verdade é que aqui a pressão é muito mais real e constante apesar de ser conciliada com momentos loucos, e o impacto do novo meio chegou a questionar-me se estava mesmo a fazer o que queria (estou a tirar Meteorologia, Oceanografia e Geofísica. Não tem nada a ver com os meus gostos de facto), mas por outro é um curso que me dá emprego certo, mas a distância tem sido o pior para além de estudar o que pouco ou nada me cativa. Em termos de personalidade, talvez fiquei um pouco mais frio, não num sentido mau, mas sim no da maturidade, mas sem dúvida o problema que tenho de não conseguir fazer muitas coisas ao mesmo tempo tem-se intensificado, e notei muito isso não só no meu namoro como nos estudos e nas tarefas domésticas, e isso nunca se conciliou bem com a minha cabeça sempre a mil, pelo que houve vezes, não muitas, em que simplesmente fiz o que me veio à deriva em termos criativos, tenho gravações de riffs muito confusos na guitarra, como também 'naquele' texto já referido, e isso de certa forma refletiu o que eu estava a sentir, uma certa perdição existencial fruto de um coping mechanism quanto à realidade que está por vir e que aceleradamente chegará sem eu me dar conta, e foi mais ou menos neste estado em que cheguei a esta sessão de meditação.

Agora sim aquela questão, o que diria o meu eu de 16 anos vendo-me naquele momento, e tendo o intel completo de mim até há altura?
Ele ficaria feliz por olhar para mim, por ver a pessoa que ele queria ser, uma versão dele muito mais completa, certamente diria que sou o artista que ele queria ser e ficaria feliz por saber que mudei de ideias e entrei para o curso que ele desejava na altura, mas definitivamente não gostaria de saber que o ofendi por ser demasiado sensível, quando tudo o que ele queria era fazer as pessoas ao seu redor felizes, ele não tinha culpa por andar sempre ansioso, ele não tinha culpa de não saber melhor e de dar fuck up muitas vezes, sempre deu o seu máximo em tudo.. Enquanto eu me tinha afundado no ano passado por questões que ele nunca se afundaria, percebi que também eu tinha as minhas fraquezas, fraquezas estas que ele não tinha. Digo isto o mais frontalmente possível: Eu enfraqueci. Ele tornou-me mais ciente que nunca.
Pôr as coisas nesta perspetiva foi algo que se tornou inerente a mim no momento, voltei a sentir algo que não sentia há muito tempo, a empatia forte que costumava ter, e esta conjugação foi um grande breakthrough, até é algo que me podiam dizer, mas esta experiência fez-me sentir isso na pele, fui muito mais que palavras, foi uma jornada... (Só para esclarecer possíveis mal entendidos, eu não estou stoned a escrever este texto, agora com as aulas já não o farei tão regularmente).
Não minto quando digo que me vieram as lágrimas aos olhos no momento por ter visto este pensamento e refletir-se nas ações que tinha tido até então, essencialmente comigo mesmo, mas sobretudo com a minha namorada com a qual fui muito injusto ao longo do último ano, com a qual me zanguei por questões ridículas, porque não a consegui ajudar por não ter a sensibilidade necessária, até mesmo com vocês Inês e Miguel, desculpem estar a dizer os vossos nomes mas é impossível não vos referir no meio desta linha de pensamento.
Inês, tu eras a minha melhor amiga, e até hoje ainda o considero de certa forma, porque foi graças a ti que alcancei muito do que tenho hoje, se não fosses tu não conhecia a Carolina, foste como a chave para o cadeado que tinha em mim na altura, esta libertação que eu tive não seria de todo possível sem ti e expandiu-se para muito, este texto não estaria agora aqui sem ti. Obrigado miúda, e desculpa não te ter respondido mas tive o insta desinstalado durante uns tempos e o timing perdeu-se. De facto temos de falar, só não sei se estás na boa com isso, which I understand if that's the case.
E tu Miguel, não sei se leste o último texto, mas nada do que foi escrito era para te ofender objetivamente, queria fazer-te ver o que havia de bom implícito no que lá estava, e sim agi mal depois e isso sim foi muito baixo da minha parte porque não só não era o objetivo como foi completamente despropositado. Mas sabes? És de certa forma parecido com o que eu era antes, eu identifico-me contigo, tens uma força que eu não tenho, e talvez a minha reação no momento não tenha passado mesmo de inveja, I admit that. És um gajo espetacular e vejo em ti um grande potencial para o futuro, não sei que objetivos tens no momento, mas espero que a vida te sorria ao máximo, u deserve that.

Sinceramente não sei como está o texto, mas aqui vai, veio totalmente da ponta dos meus dedos para o ecrã, e é esta naturalidade e espontaneidade que quero para este tema, não quero dar um overdevelop minucioso a isto. Podem estar agora a rir-se do quão ridículo é ou posso ter dito alguma coisa mal, mas se for esse o caso pelo menos servi para uma momentânea libertação de endorfina nos vossos cérebros.

-Haja saúde.


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